Reabilitação após AVC: equipe do HGWA trabalha para recuperar autonomia e qualidade de vida dos pacientes
Internado no Hospital Geral Dr. Waldemar Alcântara (HGWA) desde o dia 11 de outubro, o servente de obras Santano Nascimento, de 50 anos, vivencia os desafios da recuperação após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC). O que começou com uma dormência no braço, enquanto trabalhava, evoluiu para a perda de sustentação da perna. Socorrido, ele recebeu assistência hospitalar e, desde então, apresenta avanços com o tratamento.
“Eu estava no trabalho, comecei a sentir uma dormência no braço, depois para o corpo inteiro, a perna não sustentou mais. Fui socorrido e, graças a Deus, estou aqui. Foi um susto, mas agora vou me cuidar mais”, relata Santano.
A internação também trouxe a descoberta de um fator de risco até então desconhecido pela família: a hipertensão arterial. “Ele fez exames aqui e descobriu que é hipertenso. Nunca tomou remédio. Ele também vinha sentindo dormência nas pernas e braços, mas nunca nos falou”, conta Sabrina Freitas, filha do paciente. Ela acompanha de perto a evolução do pai e comemora as conquistas alcançadas durante a reabilitação. “Aqui ele já voltou a comer, estava só na sonda. Ele não se levantava, já está começando a dar os primeiros passos. Está bem melhor”, destaca.

A história de Santano ilustra o trabalho realizado pela equipe multiprofissional da Unidade de AVC do HGWA, unidade da rede da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), que atua para minimizar as limitações provocadas pela doença e recuperar, sempre que possível, a independência dos pacientes. O acompanhamento começa ainda no ambiente hospitalar e envolve profissionais de diferentes áreas, com intervenções individualizadas de acordo com as necessidades e a evolução de cada pessoa.
Reabilitação começa ainda no hospital
A neurologista do HGWA, Joyce Benevides, explica que iniciar a reabilitação precocemente é fundamental para favorecer a recuperação dos pacientes após um AVC. Na unidade, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos e terapeutas ocupacionais trabalham de forma integrada, com atendimentos diários durante a internação.
“A reabilitação é essencial para o paciente acometido de AVC e deve ser iniciada o mais precocemente possível. Aqui nós temos uma equipe multidisciplinar bem completa, com fisioterapeuta, fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional, para que esse processo seja iniciado ainda no ambiente hospitalar e de uma forma bastante intensiva, com atendimentos diários”, afirma.

Além de acompanhar os déficits motores, de fala e de deglutição, a equipe médica investiga as possíveis causas do AVC e atua no controle de doenças que podem contribuir para novos episódios. Entre elas estão hipertensão arterial, diabetes e alterações do colesterol. O objetivo é definir o tratamento mais adequado e reduzir o risco de recorrência.
Segundo a neurologista, o cuidado não termina com a alta hospitalar. A continuidade da reabilitação, o uso correto das medicações prescritas e a atenção da família são essenciais para a recuperação e para a prevenção de complicações.
Fisioterapia para recuperar movimentos e independência
Voltar a sentar, ficar em pé, caminhar e realizar atividades cotidianas são conquistas que exigem acompanhamento e estímulos progressivos. A fisioterapeuta do HGWA, Tania Paiva, explica que o trabalho envolve tanto a parte motora quanto a respiratória, considerando as diferentes condições clínicas dos pacientes.
“É um trabalho bem complexo, envolvendo tanto a parte respiratória como a parte motora. A complexidade dos pacientes é muito diversa. A gente atende desde aqueles que apresentam comprometimento motor parcial até pacientes que perdem totalmente a força em um dos lados do corpo e ficam acamados”, explica.
O processo de reabilitação motora segue etapas que respeitam os limites de cada paciente. Inicialmente, são realizados exercícios para desenvolver o equilíbrio do tronco e possibilitar a transição da posição deitada para a sentada. Em seguida, o trabalho avança para o treino de ficar em pé, fortalecer a estabilidade dos membros e iniciar os primeiros passos, conforme a evolução clínica.

“O equilíbrio de tronco é muito importante porque é uma transição entre ficar só deitado e começar a ver o mundo por outro ângulo, ter outras oportunidades, sair do leito. Cada paciente tem uma evolução, mas a gente vai sempre tentando não exigir, e sim estimular o máximo que eles podem dar naquele momento, para fazer com que tenham alta da melhor forma possível, de maneira mais independente”, destaca Tania.
Recuperar a deglutição e a comunicação
As sequelas do AVC também podem comprometer a capacidade de engolir alimentos e líquidos e de se comunicar. Na unidade, a fonoaudiologia atua na avaliação dessas funções e na reabilitação dos pacientes, com atenção especial à segurança da alimentação.
A fonoaudióloga Mayara Castro explica que a avaliação inicial é realizada nas primeiras 48 horas após a admissão na unidade, com rastreio do risco de broncoaspiração. O acompanhamento considera tanto os pacientes que já se alimentam pela boca quanto aqueles que utilizam sonda.
“Quando o paciente chega, a gente faz uma avaliação, independentemente da via de alimentação que ele estiver utilizando, para entender se precisa de uma adequação de consistência ou de uma intervenção imediata. Nos casos de pacientes com sonda, por exemplo, a gente começa o processo de terapia, com exercícios e estímulos para ele voltar a deglutir, poder retirar a sonda e voltar a se alimentar pela boca”, explica.

Entre as estratégias utilizadas estão os estímulos táteis, térmicos e gustativos, que trabalham a sensibilidade e a função motora da cavidade oral para favorecer a recuperação da deglutição. Para estimular a fala, a equipe utiliza imagens e objetos do cotidiano, além de exercícios com palavras curtas e movimentos dos lábios, da língua e das bochechas. Os acompanhantes também recebem orientações para dar continuidade aos estímulos ao longo do dia.
“É um dos maiores desafios, porque gera muita angústia não poder se comunicar. E a parte da deglutição também, porque eles têm muita vontade de voltar a comer e sentir os sabores dos alimentos. Às vezes, um simples copo de água faz toda a diferença na vida deles”, ressalta Mayara.
Reconhecer os sinais pode salvar vidas
Embora o foco do trabalho na unidade seja a recuperação dos pacientes, a prevenção e o reconhecimento rápido dos sintomas também são fundamentais. Entre os principais sinais de AVC estão a perda súbita de força, especialmente em um dos lados do corpo, a assimetria no sorriso e a dificuldade repentina para falar ou se comunicar. Ao identificar qualquer um desses sintomas, em si mesmo ou em outra pessoa, é necessário procurar atendimento de emergência imediatamente.

“Identificando um sintoma ou na própria pessoa, em algum familiar, esse paciente deve ser imediatamente levado para a assistência médica”, orienta Joyce Benevides.
A hipertensão arterial, o diabetes, o colesterol elevado, o sedentarismo, a obesidade e algumas doenças cardíacas estão entre os fatores de risco para o AVC, segundo a especialista. “O tabagismo e o consumo excessivo de álcool também aumentam os riscos. O acompanhamento regular de saúde, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado dessas condições são medidas importantes para prevenir novos casos”, finaliza.