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05/02/2026

Hospital Regional do Cariri realiza atendimento especializado a vítimas de acidentes por animais peçonhentos

Naiara Carneiro

O aposentado Pedro Marcelino, 70, preparava o café, como costuma fazer diariamente, quando foi surpreendido com uma picada no pé. “Na hora que eu pisei no tapete da cozinha, o escorpião estava lá em cima e me ‘ferroou’. No momento senti a furada, depois ficou doendo e dormente, uma dor constante subindo pela perna”, conta.

Incentivado pela esposa, o paciente buscou atendimento no Hospital Regional do Cariri (HRC), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa). Na emergência da unidade, Pedro passou pela triagem, foi avaliado pela equipe médica e permaneceu em observação, recebendo a medicação prescrita, o que resultou na melhora dos sintomas.

Os animais peçonhentos são aqueles capazes de injetar veneno. Entre eles estão escorpiões, cobras e aranhas. Os acidentes com esses animais representam uma emergência médica e precisam de atenção, mesmo quando os sintomas iniciais parecem leves.

A médica emergencista que atua no HRC, Morgana Tavares, explica que os sinais de gravidade variam conforme o animal envolvido, mas que alguns sintomas servem de alerta para buscar socorro imediato. “São eles: dor intensa que se espalha rapidamente, inchaço progressivo ou endurecimento na região, vômito, tontura, suadeira, visão embaçada, dificuldade para respirar, muita sonolência, paciente confuso ou queda da pressão. Esses sintomas indicam que o veneno já está agindo de forma mais sistêmica no corpo todo e esse paciente precisa ser atendido com urgência maior”, afirma.

Indicação do soro antiveneno

Quando chega ao HRC, o paciente é avaliado pela equipe de emergência, que classifica a gravidade e identifica o tipo provável de animal envolvido. Havendo a indicação, é aplicado o soro antiveneno específico. “Além disso, o HRC realiza o acompanhamento clínico, monitora sinais vitais e reavalia exames laboratoriais, porque algumas complicações podem surgir mesmo depois de uma melhora inicial”, ressalta a médica Morgana.

Para aplicação do soro, são considerados sintomas, tipo de animal envolvido e exames

A avaliação da necessidade da aplicação dos soros antiveneno é realizada em conjunto com a farmácia hospitalar. De acordo com a farmacêutica Marina Santos, a equipe considera os sintomas, o tipo de animal e os exames laboratoriais. “Pacientes que chegam sem sintomas clínicos e com exames normais, devem permanecer em observação por no mínimo 12 horas, pois em alguns casos podem ocorrer reações tardias do veneno injetado. Pacientes que já apresentam sinais de envenenamento devem permanecer em observação por no mínimo 24 horas ou até haver melhora clínica e laboratorial do paciente para a alta”, explica.

A farmacêutica pontua ainda que o objetivo do soro é neutralizar o veneno que ainda está circulando no organismo e a quantidade aplicada vai depender se o caso é considerado leve, moderado ou grave.

Farmácia do HRC dispõe de cinco tipos de soros antiveneno

No HRC, todos os tipos de soros necessários para esses atendimentos estão disponíveis, que são os soros antibotrópico (antídoto para picadas de serpentes como a jararaca), anticrotálico (antídoto para picadas de cascavel), antielapídico (antídoto para picadas de cobras corais verdadeiras), antiescorpiônico (antídoto para picadas de escorpião amarelo) e antiaracnídeo (antídoto para picadas de aranhas).

Panorama de acidentes no Ceará

No Ceará, entre os anos de 2024 e 2025, houve um total de 26.660 acidentes por animais peçonhentos, sendo 12.061 em 2024 e 14.599 em 2025. Acidentes com escorpiões representam 60,8% das notificações no período citado.

“Este crescimento absoluto não deve ser interpretado apenas como um aumento na densidade populacional de animais, mas também como um reflexo do fortalecimento da rede de vigilância e do planejamento para distribuição de imunobiológicos”, destaca a coordenadora de Vigilância Epidemiológica e Prevenção em Saúde da Sesa, Ana Cabral.

Na região do Cariri, foram notificados 2.825 acidentes por animais peçonhentos em 2024, e 3.667 em 2025, um crescimento de 29,8% entre os dois anos. Somente em 2024, o HRC registrou 96 notificações de acidentes com animais peçonhentos. Em 2025, esse número chegou a 149 notificações.

O que não fazer em caso de acidente

A médica Morgana Tavares orienta sobre o que não deve ser feito após um acidente com animais peçonhentos. “Não se deve cortar o local, fazer torniquete, sugar o veneno ou aplicar qualquer substância. O correto é manter o membro em repouso, retirar anéis, pulseiras, calçados apertados e lavar apenas com água e sabão. Se for possível, você pode tirar uma foto do animal para facilitar a identificação do tratamento”, conclui.

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