Cuidar de quem cuida: acolhimento materno favorece o bem-estar e a amamentação no HUC
Cuidar de quem acompanha a internação de um bebê também faz parte da assistência. No Hospital Universitário do Ceará (HUC), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), o Acolhimento Materno desenvolve atividades que buscam promover o bem-estar das mães e contribuir para as condições de amamentação durante a hospitalização dos filhos. Entre as iniciativas estão as oficinas terapêuticas, que combinam atividades manuais, momentos de relaxamento e convivência. Nesta semana, as mães participaram de uma oficina de produção de fuxicos para a confecção de um quadro decorativo.
O serviço acolhe, em média, 35 mães diariamente e realiza oficinas três vezes por semana, com cerca de dez participantes por encontro. As atividades incluem propostas de produção manual, como o artesanato, além de massagens e práticas integrativas. A iniciativa busca oferecer às mulheres momentos de cuidado em meio à rotina hospitalar e contribuir para a redução do estresse e da ansiedade, fatores que podem interferir na amamentação.
Cláudia Hemerita, terapeuta ocupacional responsável pelo Acolhimento Materno da unidade, explica que a proposta é promover o bem-estar integral das mães durante o período de internação dos bebês. “A gente tem como proposta a permanência de qualidade dessas famílias de crianças internadas. Uma permanência duradoura, gostosa de se estar. Onde a gente se torna rede de apoio, mas, principalmente, em que essas mães se tornam rede de apoio umas para as outras”, explica.
Um momento de cuidado em meio à internação

Entre as participantes da oficina de produção de fuxicos está Letícia Brasileiro, 21, moradora de Maracanaú e mãe de Marcos Levy, nascido no HUC em 19 de julho e internado desde então. Com um sorriso no rosto e uma alegria que contagiava as demais participantes, ela conta que as atividades representam uma oportunidade de cuidar de si enquanto acompanha a recuperação do filho.
“Esse encontro fortalece a gente em muitos sentidos. Enquanto nós estamos aqui sendo rede para nossos filhos, acabamos esquecendo da gente. Mas a gente precisa estar bem para cuidar deles, né?”, comenta.
Letícia relata que se sente vista, ouvida e acolhida durante os encontros, que também permitem compartilhar experiências e encontrar momentos de descontração em meio às dificuldades da hospitalização. Para ela, esse suporte faz diferença em uma rotina que exige dedicação constante aos cuidados com o bebê.
“A gente consegue se sentir bem em um momento que não é fácil. Conhecemos outras histórias, compartilhamos experiências e ouvimos a realidade de outras mães. Nós nos abraçamos, pois estamos todas no mesmo barco com nossos bebês internados”, afirma.
A importância do acolhimento também se revela nos momentos mais difíceis da internação. Mãe de uma criança que já passou por seis procedimentos cirúrgicos na unidade, Letícia destaca o suporte que encontrou durante esse período. “Meu filho já passou por seis cirurgias aqui dentro e, nas seis, eu estava sozinha. Então, a minha rede de apoio, quem me ajudou nesse momento, foram elas, foi o Acolhimento Materno”, relata.
Bem-estar materno e produção de leite

O cuidado com a saúde física e emocional das mães também merece atenção quando o assunto é a produção de leite materno. Durante a internação dos filhos, a tensão pode tornar a experiência da amamentação ainda mais desafiadora. Nesse contexto, atividades que proporcionam relaxamento e bem-estar podem favorecer a amamentação.
Cláudia Hemerita explica que as oficinas integram as estratégias de cuidado oferecidas pelo setor e destaca a relação entre o bem-estar das mães e a amamentação. “Por meio dessas atividades, as mães diminuem o nível de estresse e ansiedade e, assim, produzem mais leite. Ela consegue suprir a necessidade do filho e até doar ao banco de leite, que destina a outras crianças internadas aqui na unidade”, reforça.
Além de contribuir para a alimentação dos próprios filhos, a produção de leite materno pode beneficiar outros recém-nascidos internados que necessitam desse alimento. O Banco de Leite Humano do HUC funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, para atender bebês prematuros e internados.
Mulheres interessadas em doar leite materno podem entrar em contato com o serviço pelo telefone (85) 99421-9941. A equipe oferece orientações sobre os cuidados necessários para a doação e informações sobre amamentação. O banco de leite precisa de aproximadamente 573 litros por mês para atender à demanda dos recém-nascidos.