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15/04/2026

“Cuidando de quem cuida”: projeto do HGWA promove oficinas de terapia ocupacional para acolher mães na UTI Neonatal

Bruno Brandão

Enquanto os bebês recebem cuidados intensivos na UTI Neonatal do Hospital Geral Dr. Waldemar Alcântara (HGWA), mães e acompanhantes têm encontrado um espaço de acolhimento e aprendizado nas oficinas promovidas pela equipe de Terapia Ocupacional. Batizado de “Cuidando de Quem Cuida”, o projeto leva atividades que combinam artesanato, aromaterapia e orientações de saúde para aliviar a ansiedade e fortalecer o vínculo entre mãe e filho.

Roseane Mendes de Souza acompanha a sobrinha Ana Vitória, de apenas cinco dias de vida, dividindo o cuidado com a mãe da bebê. Para ela, participar da oficina foi uma experiência marcante. “Estou achando excelente. É uma terapia. Ficamos nervosas com a condição da bebê. Acabamos não nos sentindo bem, mas adoro arte”, relatou.

Tatielen Dantas cuida da filha Maria Aurora, de um mês de vida, desde o dia 19 de março, quando a bebê foi internada. Para ela, o momento das oficinas representa um respiro em meio à tensão da UTI. “É um momento relaxante. Ficamos com medo de notícias, ansiosas, mas um momento como esse nos faz sentir bem, desconectar um pouco”, disse.

Josiane Batista, mãe do pequeno José Noah, de 22 dias, também ressaltou os efeitos positivos das atividades: “Achei muito bom. Ajuda a ocupar a mente e distrai. Diminui a ansiedade e nos deixa mais leves.”

Ao cuidar da mãe, cuida-se também do bebê

Por trás das oficinas está a terapeuta ocupacional Viviane Coutinho, que atua na UTI Neonatal do HGWA. Ela explica que as atividades seguem um calendário de datas comemorativas: Páscoa, Dia das Mães, Dia das Crianças e Natal, escolhidas por seu significado afetivo, mas que o escopo vai muito além do artesanato.

“Quando fazemos essas oficinas, não é só para dar um sorriso, mas também para trabalhar a saúde mental. As oficinas precisam ter atividades significativas e importantes, não apenas para o momento da hospitalização, mas porque, ao trabalharmos com a mãe, alcançamos a criança”, afirma Viviane.

A terapeuta utiliza aromaterapia no ambiente exclusivo para as mães, com óleos essenciais de lavanda e capim-limão, para potencializar o relaxamento durante as oficinas. Ela ressalta que o bem-estar emocional da mãe impacta diretamente nos indicadores clínicos do bebê: “Ao ajudar a mamãe a relaxar, você está contribuindo para a evolução e a alta do bebê, pois melhora o batimento cardíaco dele e o ajuda a ficar mais relaxado também. Quando a mamãe não está muito relaxada, o bebê sente”.

Com uma metáfora sensível, Viviane descreve o elo invisível entre mãe e filho: “Digo que a mãe tem dois ‘cortes umbilicais’ que não têm nome: o da mente e o do coração. Quando esses dois não estão muito bem, o bebê muda todo o monitoramento. Em vez de evoluir, ele começa a ficar estável ou demora para sair do hospital”.

Aprendizado que vai para casa

As oficinas utilizam materiais simples e antialérgicos, TNT, bastidor, tinta atóxica e pincel, e ensinam técnicas que as mães podem reproduzir em casa. Entre as produções recentes, destaca-se uma bolsinha para celular com pintura em bastidor, criada para uma necessidade prática do cotidiano hospitalar: como as batas não têm bolsos, o acessório evita que o aparelho fique solto e reduz o risco de contaminação bacteriana nos berçários.

A programação também prevê continuidade com oficinas de crochê e outras técnicas manuais. Viviane destaca que o objetivo é duplo: oferecer renda alternativa às mães que desejarem e trabalhar a memória afetiva.

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