Unidade de Pronto Atendimento

Protocolo de Dengue implantado nas UPAs reduziu em 75% o número de óbitos. Trabalho foi premiado em evento

ISGH 15 anos Foto UPA Atdm-01

No tradicional período de prevalência de arboviroses, comum no primeiro semestre do ano, os atendimentos aos pacientes com suspeita de dengue costumam representar um percentual significativo, contribuindo para a superlotação das emergências. Em 2015, o cenário foi de grande epidemia, com 11.631 casos de dengue confirmados, atendidos pelas nove Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Fortaleza, dos quais, 15 evoluíram a óbito devido a complicações clínicas.

Nesse contexto, uma ação inovadora foi implantada nas UPAs, com o objetivo de garantir a excelência no atendimento de pacientes com suspeita de dengue e reduzir a mortalidade. O diretor de Processos Assistenciais das UPAS, Dr. Breitner Chaves, explica que em 2016, foi realizada uma força tarefa com objetivo de reduzir essa mortalidade. "De imediato, nós realizamos uma fase de diagnóstico, onde identificamos que 80% dos prontuários médicos continham registros de ações não conformes com o protocolo de atendimento preconizado pelo Ministério da Saúde. Isso fazia com que muitos casos da doença não fossem identificados ou não tivessem um tratamento eficaz", explica.

Diante dessa problemática, a gestão desenvolveu um fluxograma de atendimento tendo como base o protocolo do Ministério da Saúde, padronizando condutas e facilitando a tomada de decisão médica.

O fluxograma consiste em uma série de perguntas realizadas aos médicos diante de pacientes com suspeita de dengue, relativo ao quadro clínico e achados dos exames físicos. "Ao final dessa etapa, o sistema informa ao médico o "tipo de dengue" (A, B, C ou D) do paciente, sugerindo uma conduta assistencial padronizada, envolvendo desde a solicitação de exames, prescrição de hidratação e apoio na decisão clínica, tal como observação ou internação, de acordo com os critérios clínicos pré-estabelecidos do paciente. Assim, ficou uniforme a conduta para cada grupo clínico da dengue levando em conta suas particularidades e riscos", descreve o diretor.

Resultados positivos

"O principal papel deste fluxograma é sinalizar o paciente grave para o médico, ou seja, mostrar aquele paciente que tem potencial de complicar e aconselhar a conduta a ser seguida, com a necessidade ou não de internação do paciente. Esses dois fatores fizeram toda a diferença para a redução da mortalidade por dengue nas Unidades". Breitner Chaves - Diretor de Processos Assistenciais UPA

O resultado dessa automatização foi mensurado em 2016, onde nove unidades registraram 15.266 casos confirmados de dengue, dos quais, cinco evoluíram a óbito (0,32 a cada 1000 casos confirmados), uma redução, em relação a 2015, de 75% de mortalidade. Além disso,

O resultado dessa automatização foi mensurado em 2016, onde nove unidades registraram 15.266 casos confirmados de dengue, dos quais, cinco evoluíram a óbito (0,32 a cada 1000 casos confirmados), uma redução, em relação a 2015, de 75% de mortalidade. Além disso, foram abertos 15.413 protocolos em 2016, dos quais, 62% eram Dengue do grupo A; 27% do grupo B; 10% do grupo C e 1% do grupo D.

Através da análise do problema e da decisão de automatizar o processo de atendimento dos pacientes com suspeita de dengue, foi possível, com baixo custo, reduzir a mortalidade e aumentar a segurança e a qualidade no atendimento de pacientes com suspeita de dengue nas UPAs.

Reconhecimento

Os resultados desse trabalho foram apresentados durante o Congresso Médico da Unimed e renderam um prêmio à gestão das Unidades. "Esse prêmio foi uma grande surpresa, porque um evento privado de uma operadora de saúde reconheceu um trabalho desenvolvido por uma organização social que presta serviços exclusivamente pelo SUS. Foi muito gratificante receber esse reconhecimento e, muito melhor que receber um prêmio, é saber que o nosso dispositivo será utilizado em outras unidades para contribuir e salvar vidas. É este o nosso papel, enquanto organização social, contribuir para a melhoria global da saúde", comemora o diretor Breitner Chaves.

ISGH 15 anos Foto UPA-Premio-01

 

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